O encontro foi promovido pelo Pibid interdisciplinar de Ciências Sociais e Filosofia

Um debate atual, necessário e repleto de reflexões marcou o evento “Brasilidades: democracia em debate”, promovido pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) interdisciplinar de Ciências Sociais e Filosofia, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e professores do Departamento de Área e Base Comum (DABC) do IFMT Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva.
A iniciativa reuniu estudantes do Ensino Médio do IFMT para refletir sobre temas centrais da sociedade brasileira.
O encontro, realizado ao longo de dois dias, propõe ampliar o diálogo sobre identidade nacional, política, diversidade cultural e social, promovendo reflexões que envolvem conteúdos de Filosofia, Sociologia e áreas transdisciplinares. O objetivo é fortalecer o pensamento crítico e a formação cidadã dos participantes por meio de experiências e debates que dialoguem com a realidade contemporânea.
A abertura contou com a presença de Rodrigo Marcos de Jesus, docente de Filosofia da UFMT e coordenador de Área Interdisciplinar Ciências Sociais e Filosofia do Pibid; Marli Walker, diretora de Ensino do Campus Cuiabá Octayde; e os professores Juliano Batista dos Santos e Leticia Rosa de Almeida Leite, professores do IFMT e organizadores do evento.

Rodrigo destacou a construção coletiva do projeto ao longo do último ano. “Com o apoio do Juliano e da professora Letícia, desenvolvemos várias atividades. Este evento é a culminância de uma trajetória que começou no final de outubro do ano passado. Foi pensado com muito carinho, e esperamos que vocês aproveitem as atividades”, afirmou.
Ao apresentar a proposta do evento, Juliano destacou que ele busca romper com perspectivas hegemônicas e trazer à tona outras narrativas historicamente invisibilizadas. “Esse evento foi pensado para tentar sair um pouco do universo onde a gente vive, o universo de pessoas que já criam as regras, o patriarcado. Pensamos em trazer outros universos, que, muitas vezes, são impedidos de entrar nos livros e na história.”
O professor destacou a importância de reconhecer a diversidade de percepções e formas de existir no mundo, ressaltando que questões como gênero ainda enfrentam limitações dentro dos espaços de produção de conhecimento. Ele observou que, na Filosofia, por exemplo, as contribuições de mulheres seguem sendo pouco exploradas, reduzidas muitas vezes a nomes já consagrados, enquanto inúmeras outras pensadoras permanecem invisibilizadas nos currículos e debates acadêmicos.
Ao encerrar a sua fala, Juliano reforçou o desejo de que experiências, identidades e modos de pensar historicamente marginalizados, especialmente os relacionados às questões de gêneros e ao racismo contribuam para a construção de um mundo verdadeiramente plural. Para ele, superar visões binárias e ampliar as referências acadêmicas e sociais são fundamentais para fortalecer uma sociedade mais diversa, representativa e inclusiva.
Programação

A programação do evento reuniu uma série de palestras, rodas de conversa, oficinas e atividades práticas. Na quarta-feira (26), o destaque foi para a Filosofia, com a palestra de abertura “Mulheres na Filosofia”, ministrada pela pesquisadora Priscilla Stuart da Silva (UFMT).
Durante a manhã, os estudantes participaram ainda de uma roda de conversa com o tema “Diversidades: amor em debates”, com Ange Kumakura e Thaylla Monteiro, mediada pelo professor do IFMT Sidney Jr. Martins. Na conversa, os palestrantes compartilharam experiências pessoais e mostraram dados sobre as pesquisas realizadas na área de gênero.
A oficina “Se Liga Nelas! O jogo de cartas das filósofas brasileiras”, com Luciana Gonçalves da Silva e Mariley Rosa da Costa, abordou, de forma leve e divertida, a importância das mulheres na filosofia do país. O minicurso sobre Oswald de Andrade e o movimento antropofágico também despertou o interesse dos estudantes.
Já no período vespertino, foram realizadas atividades de Hip Hop e grafite e sobre mitologias nos jogos eletrônicos. As propostas combinaram teoria e prática, reforçando a pluralidade de expressões culturais.

Na quinta-feira (27), o foco passou à Sociologia, iniciando com a palestra “A voz do silêncio ancestral”, conduzida pelo professor Cristóvão Luiz Gonçalves da Silva. A programação do dia trouxe cine-debates sobre “Uma História de Amor e Fúria” e sobre a influência estrangeira na construção da identidade brasileira, além da roda de conversa “Somos mesmo hospitaleiros?”, que discutiu imigração e racismo estrutural.
À tarde, as atividades incluíram novas edições dos debates e a Rota da Ancestralidade, uma caminhada guiada pelo Parque Mãe Bonifácia, que propôs reflexões críticas sobre memória, território e democracia a partir de narrativas descolonizadas.

