Programação reuniu estudantes do Ensino Médio Integrado em atividades de letramento LGBTQIA+, arte, cinema e sarau
Durante quatro dias, estudantes e servidores do IFMT Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva tiveram espaço para ouvir, questionar e dialogar sobre gênero, diversidade e respeito. A programação da Semana da Diversidade, realizada de 17 a 20 de agosto, na Sala de Projeções do campus, promoveu uma atividade de letramento sobre identidade de gênero, expressão de gênero e orientação sexual.
A programação reuniu estudantes dos cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio em Agrimensura, Eletrônica, Eletrotécnica, Eventos, Informática e Secretariado em diferentes momentos de diálogo. Ao longo da atividade, os participantes tiveram contato com o Letramento LGBTQIA+, a intervenção artística “Corpo que Transito”, além de uma sessão de cinema e um sarau da diversidade.
Toda a programação foi construída com o objetivo de dialogar, acolher e refletir sobre a diversidade no ambiente escolar, com o intuito de erradicar o bullying. A iniciativa foi organizada pela Comissão de Acolhimento, Apoio, Orientações e Combate à Discriminação para Questões de Gênero, Raça e Diversidades, sob a presidência da professora Karina Oliveira Brito.
Entre os temas discutidos com os estudantes durante a atividade de letramento, a violência contra pessoas LGBTQIA+ abriu espaço para reflexões sobre discriminação e realidade social.
O estagiário de Psicologia Escolar, da Coordenação de Assistência Estudantil e Inclusão (CAE), Gabryel Xavier Fialho Dutra apresentou dados sobre a violência contra pessoas trans e destacou a posição do Brasil entre os países com registros mais elevados de assassinatos dessa população. A partir das informações, os estudantes foram convidados a refletir sobre as diferentes formas de violência e os impactos da discriminação na vida das pessoas LGBTQIA+.
O debate também ganhou um espaço de escuta e troca de experiências com a participação de Yuri Rafael Decesaro Galeazzi, estudante do Técnico Integrado em Informática. Ao se apresentar como uma pessoa transgênero, Yuri compartilhou com os colegas situações vivenciadas no cotidiano e chamou atenção para os desafios enfrentados no acesso aos serviços de saúde.
“Vocês sabiam que nem o sistema público de saúde está pronto para lidar com isso? A gente tem uma expectativa de vida de 35 anos, não só porque somos mortos na rua, mas porque não temos acesso nem ao básico. Se vamos ao hospital, não temos acesso a medicamentos ou a qualquer coisa que seja. Muitas vezes, sem orientação médica, as pessoas trans compram remédios de forma ilegal porque não têm prescrição médica, e isso gera questões que nem o sistema público de saúde está pronto para lidar”, relatou.
O relato de Yuri aproximou os participantes da realidade vivenciada por pessoas trans e abriu espaço para que os estudantes refletissem sobre situações presentes no cotidiano, como o acesso à saúde.
A conversa também abriu espaço para perguntas que partiram das próprias experiências e curiosidades dos estudantes. Entre os questionamentos, uma estudante chamou atenção para as diferentes regras relacionadas aos jovens. “A transição hormonal é proibida aos 16 anos, mas, a partir dos 16 anos, o casamento é legalizado. Isso não faz sentido!”, observou.
Outra estudante aproveitou o momento para trazer uma dúvida sobre o atendimento de pessoas trans nos serviços de saúde. “Eu gostaria de fazer uma pergunta porque é uma dúvida que eu tenho. Como uma mulher trans resolve um problema íntimo com o ginecologista? Ele sabe tratar essa mulher mesmo ela não sendo uma mulher cisgênero?”
As perguntas permitiram discutir situações práticas relacionadas aos direitos, ao atendimento em saúde e necessidades específicas da população trans. “Precisamos quebrar um pouco desse paradigma de que ginecologista é médico somente de mulheres. O atendimento deve considerar as características e necessidades individuais, independentemente da identidade de gênero”, analisou Gabryel.
Sobre a Semana da Diversidade
A Semana da Diversidade integra as ações educativas relacionadas aos Temas Contemporâneos Transversais (TCTs), em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pelo Plano Nacional de Educação (PNE – Lei nº 13.005/2014), pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996) e pela Lei nº 14.986/2024, que orientam a abordagem de temas relacionados à diversidade, cidadania, direitos humanos e respeito às diferenças no contexto educacional.



