Chico encerra trajetória, marcada pelo ensino de Filosofia, com o reconhecimento de colegas e estudantes
Depois de mais de três décadas dedicadas à educação, Francisco de Andrade Rosa encerrou, na manhã desta terça-feira (18 de agosto), sua trajetória como professor do IFMT Campus Cuiabá – Cel. Octayde Jorge da Silva. A aposentadoria marca o fim de uma jornada estabelecida pelo reconhecimento, admiração e carinho.
O professor Chico, como é conhecido dentro da instituição, acompanhou grandes transformações na educação profissional e tecnológica, além de estar em momentos marcantes da história da Filosofia, como quando a disciplina se tornou componente obrigatório na formação dos estudantes.
Ele ingressou na então Escola Técnica Federal de Mato Grosso (ETFMT), em 1993, para lecionar Filosofia. Na época, como a disciplina ainda contava com uma carga horária reduzida, ele também atuou no ensino de Sociologia.
“Foi uma trajetória importante. A Filosofia foi ocupando o seu espaço e se mostrando no que pode auxiliar numa escola técnica. Em um primeiro momento, havia uma certa estranheza com uma disciplina como a Filosofia em uma escola técnica. Com o tempo, ela foi se consolidando e se tornou obrigatória”, contou.
O professor avalia que sua experiência na instituição também foi marcada por um processo de crescimento pessoal. O contato cotidiano com os estudantes e o retorno recebido ao longo dos anos contribuíram para que compreendesse o significado do trabalho desenvolvido. “Individualmente, eu cresci muito com todo esse trabalho. Foi edificante e o retorno que a gente tem dos alunos é o mais importante”, afirmou.
Emocionado, Chico também destacou a transformação vivenciada ao longo dessa trajetória. “Foi aqui que eu me tornei, na realidade, uma pessoa melhor, uma pessoa útil.”
Apesar da satisfação com o caminho construído, o professor reconhece que o percurso também foi marcado por lutas, cansaço e desafios. Ainda assim, destaca o período no IFMT como o mais significativo de sua vida profissional. “Foi, sem sombra de dúvidas, o período mais produtivo e mais significativo da minha vida. Apesar do cansaço, apesar dos desafios, a gente não pode deixar de afirmar isso”, declarou.
A manhã de homenagens ao professor teve início no Departamento de Área e Base Comum (DABC) e se estendeu pelos corredores da instituição. O momento teve destaque pelo reconhecimento de colegas, que ressaltaram que as contribuições do professor Chico ultrapassaram as salas de aula e alcançaram também a maneira de compreender e enfrentar as situações da vida.
“É uma forma singela que nos ensina a lidar com esses problemas, uma forma que nos faz perceber como devemos aprender a lidar com o mundo. Então, eu quero muito agradecer ao Chico por tudo o que nos ensinou. Você não apenas nos ensinou por meio das palavras, mas, sobretudo, pela sua forma de ser. É isso que fica. Obrigado, cara”, afirmou o professor Juliano Batista dos Santos.
Após o café da manhã com os colegas, Chico foi convidado a seguir até o corredor para fazer sua última passagem como docente ativo da instituição. O que ele não esperava é encontrar uma multidão de estudantes para acompanhá-lo naquele momento.
Pelos corredores, a despedida ganhou som com a banda Afrosom, formada por estudantes do campus, enquanto os alunos entoaram o nome “Chico” durante o percurso até o saguão principal. No local, a banda realizou apresentações musicais em homenagem ao professor, com canções como “Cabeça de Boi”, de Henrique, Claudinho e Pescuma, e “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, que embalaram a despedida e deram ainda mais emoção ao momento.
Ao final das apresentações, os estudantes pediram que Chico fizesse um discurso. Emocionado, o professor agradeceu pela homenagem e destacou que os estudantes foram parte fundamental de sua trajetória no Instituto.
“Eu agradeço a homenagem. É tudo por vocês. A razão de tudo são vocês, e eu sou muito grato por isso. Eu aprendi muito e acho que a energia que vocês passam, ainda mais para nós que temos mais idade, contagia e é um bálsamo para continuar. Por isso, eu agradeço muito por tudo. Espero encontrá-los por aí”, finalizou o professor.



