Samuel Souza e Yasmim Vitória Souza participaram de simulado na capital panamenha, entre 12 e 17 de janeiro
Os sete dias no Panamá, país que liga a América Central à do Sul, ficarão para sempre nas trajetórias dos estudantes Samuel Souza e Yasmim Vitória Souza. Os dois compartilham a rotina de estudos no IFMT Campus Cuiabá – Octayde Jorge da Silva e a paixão por descobertas, de si e do mundo.
Eles vivenciaram entre 12 e 17 de janeiro de 2026 a simulação Harvard National Model United Nations – Latin America (HNMUN-LA), realizada pela Universidade de Harvard, que segue o modelo diplomático da Organização das Nações Unidas (ONU).
Samuel e Yasmim participaram da delegação de Mato Grosso que também reuniu três estudantes da Rede Estadual, representados pela Olympus Mun. Foram mais de 27 países na edição e o número de delegados ultrapassou 400 estudantes. Eles explicam um pouco da preparação para os debates e do funcionamento dos comitês durante o evento.
Yasmim conta que soube do tema do comitê em outubro, quando realizou a inscrição para o HNMUN-LA. Ela ainda não fala outros idiomas e integrou o grupo em português que debate sobre a “COP30: Cooperação Global na Transição Verde e Estratégias para Desenvolvimento Sustentável”. Durante o evento, cada delegado assume o papel de diplomata de algum país, não necessariamente o seu de origem. No caso dela, a representação foi para a Rússia.
“A preparação contou com um estudo individualizado sobre o país e também a respeito das mudanças climáticas. Eu já participo de um coletivo chamado CapiClima que atua nessa temática. Lá, eu não era a Yasmim brasileira. Eu assumi a representação da Rússia e tive que defender e negociar os interesses e a política externa do país”, explica.
Um dos momentos marcantes foi a atividade da Crise da Meia Noite. A estudante compartilha a experiência com entusiasmo: “Nós fomos convocados para resolver uma ‘crise’ com uma problemática à parte. A minha foi a simulação de uma invasão dos Estados Unidos à Amazônia. Foi uma loucura. Eles pedem para resolver em dez minutos ou o comitê acabaria ali e toda a população morreria. Apesar de ser uma simulação tem uma pressão. Deu tudo certo e depois voltamos para o quarto do hotel”.
Já o estudante Samuel participou do comitê em inglês que debateu a situação no Afeganistão, após a retirada dos Estados Unidos. Ele representou o Irã durante a simulação. Além de ser fluente em Inglês, ele também é monitor de Espanhol no Campus Octayde e estuda Francês.
“Foi uma experiência totalmente incrível dentro do comitê e fora dele também. Nos debates do comitê você tem pensamento crítico, um olhar mais analítico. Nós atuamos com base na diplomacia e nos princípios da ONU, dos direitos humanos. Fora do nosso comitê houve um embate sobre a soberania do atual presidente dos Estados Unidos, o Donald Trump, em detrimento das outras delegações. Então é muito interessante porque você vê, por exemplo, o olhar analítico de cada adolescente”, diz o estudante.
Primeira viagem internacional e premiações
A vivência como turistas também foi destacada pelos estudantes. Eles passearam pela capital panamenha, conheceram o Canal do Panamá, e a ilha de San Blas, localizada no Caribe. A viagem ao Panamá foi a primeira experiência internacional dos dois.
Os dois voltaram orgulhosos do desempenho no HNMUN-LA e da oportunidade de conviver com estudantes da Universidade de Harvard que foram os organizadores dos comitês, avaliaram a participação dos delegados e conduziram as atividades. Dentre os quesitos observados pelos membros das mesas diretoras estavam o da retórica, proatividade e capacidade de negociação.
Yasmim foi premiada com a menção honrosa pela capacidade de mudar a trajetória do debate do comitê. Samuel recebeu a premiação dentro do grupo como melhor negociador. Os dois têm no currículo a participação em um evento organizado por uma universidade reconhecida internacionalmente.
Samuel e Yasmim agradecem o apoio recebido por familiares, amigos, e pessoas que contribuíram com a viagem. “Preciso fazer um agradecimento especial para minha mãe Ana Cláudia que sempre me apoia, mas reclama que não publicam o nome dela nas entrevistas”, diz Yasmim.
Com o início do terceiro ano, eles vão se preparar para a próxima trajetória acadêmica, em alguma universidade. No mapa, o Panamá é a conexão entre as Américas, mas, para os dois foi o “canal” para outros mundos, planos e sonhos.

