Os estudantes do IFMT Campus Cuiabá Octayde Jorge da Silva participaram de uma experiência cultural marcada pela literatura, pelo diálogo e pela aproximação com escritores mato-grossenses. O encontro reuniu os autores Divanize Carbonieri e Eduardo Mahon, membros da Academia Mato-Grossense de Letras, para uma roda de conversa com os alunos, que já haviam realizado a leitura de algumas de suas obras.
A atividade foi mediada pela professora Edsônia de Souza Oliveira Melo, responsável por conduzir o diálogo entre os estudantes e escritores. O encontro possibilitou que os alunos compartilhassem impressões e interpretações construídas a partir da leitura, além de conhecer mais de perto os processos de criação literária e as experiências dos autores.
Entre as obras lidas estavam “Nave alienígena”, de Divanize Carbonieri, e “O Imprevisto”, “Paraíso em fuga” e “Eles Não podem tirar isso de mim”, de Eduardo Mahon. A leitura prévia contribuiu para tornar a conversa ainda mais significativa, ao permitir que os estudantes ocupassem um lugar ativo no encontro. Eles assumiram o papel não apenas de leitores, mas também de interlocutores dos escritores.
Um dos momentos especiais da programação foi a apresentação do livro “O tamanho da jamanta”, nova obra de Divanize Carbonieri, ainda inédita para o público. A apresentação despertou a curiosidade e o entusiasmo dos estudantes, que tiveram a oportunidade de ouvir a leitura de poemas do livro antes mesmo de seu lançamento oficial. Além disso, a programação também contou com sorteio de livros, que ampliou a oportunidade de contato dos jovens com a literatura e incentivou a formação de novos leitores.
De acordo com Divanize, uma das experiências mais emocionantes da escrita é poder encontrar leitoras e leitores e descobrir os caminhos que um texto percorre depois que deixa suas mãos. “O encontro com os estudantes do IFMT foi especialmente significativo porque eles já tinham lido nossas obras e participaram ativamente da conversa, trazendo perguntas, interpretações e curiosidades sobre o processo de criação. Falamos sobre literatura, sobre a diferença entre autora, narradora e personagem, e sobre essa relação sempre complexa entre aquilo que vivemos e aquilo que transformamos em ficção.”
O escritor Eduardo Mahon também destacou a satisfação em receber os estudantes do IFMT. “Primeiro porque eu fiz processo seletivo, na época da Escola Técnica para Edificações. Fui aprovado, mas não tive a sorte de cursar porque queria outro caminho. Eu tenho um enorme apreço pelo IFMT, uma instituição muito séria, os professores muito qualificados.”
“A segunda satisfação é ser requisitado, ser reconhecido como escritor. Isso é uma coisa muito rara. O comum é que gerações seguintes acessem uma obra decantada, não uma obra literária em construção, em andamento. Eu fiquei muito feliz pela escolha dos alunos e pelo nível da discussão. Discutimos ética e estética na narrativa contemporânea. Isso não é uma prática trivial. Então, é preciso ter um nível bom de professores que conduzem o trabalho e também é preciso que os alunos tenham maturidade para debater um assunto complexo, polêmico, espinhoso. Eu fiquei realmente muito emocionado. Acredito que os alunos também levem na lembrança, a mesma lembrança que eu tive. Um dia feliz, um dia rico, de acréscimo. É um evento que vai ficar tatuado na memória”, destacou o escritor.
Após a roda de conversa, os participantes desfrutaram de um lanche, preparado de forma acolhedora, que proporcionou um momento de convivência e descontração entre estudantes, professores e escritores.
Para a professora Edsônia, a experiência foi especialmente significativa. “O entusiasmo demonstrado pelos estudantes desde a escolha do livro na biblioteca, compartilhamento de leitura em sala e a sua postura ao longo da programação da visita cultural, revelou a potência de aproximar os jovens leitores dos autores e de criar espaços em que a literatura possa ser vivenciada de maneira dialógica e afetiva.”
Durante o retorno ao Campus Cuiabá, ainda no ônibus, a professora Edsônia entregou um livro para cada estudante, além de mimos como ímãs de geladeira e cartões-postais. A surpresa foi preparada pelo escritor Eduardo Mahon. “O gesto encerrou a atividade de maneira afetiva e reforçou a ideia de que a literatura pode ultrapassar as páginas dos livros”, analisa Edsônia.
Rafaela, estudante do 1º ano B do Técnico Integrado ao Ensino Médio em Eletrônica, descreveu a experiência como impactante. “Minha experiência nessa visita cultural no auditório do Eduardo Mahon foi a melhor que eu poderia ter. Conversamos e refletimos textos interessantes, o que só despertou ainda mais o meu desejo pela leitura e escrita. Conhecer a Divanize foi ótimo, gostei da experiência de ler sua obra “Nave alienígena”, achei impactante”.
O estudante também do 1º ano B de Eletrônica, João Heitor, destacou o poder que a leitura tem de transformar vidas. “A atividade de leitura realizada pela professora foi uma ótima proposta, pois, ler um livro que mudou sua vida e conhecer a pessoa que o escreveu, é incrível.”



